Ter
15
maio
2018

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Nous Amours: Do Corpo Imaginário ao Corpo Real
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Num cenário extasiante de luz que nos envolve em fantasias apaixonantes, viajamos com um corpo que grita expressivamente e simultaneamente chora, gentilmente chora, a dor física que alivia a dor mental. Observamos e sentimos a inscrição corporal das emoções e da vida, que criam texturas sem que este se de conta.


Afetos, afetos dispersos, desafetos, todos percorrem os movimentos na relação com o próprio e com os outros numa extensão unicromática que toca e abandona. Como uma explosão somática que evita o adoecer mental, mas de plástica carregada de erotismo e dor, o corpo quase procura a bissexualidade andrógena, numa força de autoalimento afetivo. Mudo de si, na comunicação verbal de pensamentos e sentimentos que nunca chegariam a representação simbólica, os movimentos percorrem expressões arcaicas de pulsões libidinais, de desejo de fusão com o outro.


Corre, salta, contorce-se, agita-se…abraça-se, afaga-se, dança e procura o impossível nas inscrições corporais já vividas, numa nostalgia sentida e intensa. Assim como ódios raivas e violências invisíveis que do Inconsciente se transformam em formatos de amores dançantes nunca apaziguados. Sente-se a tristeza, sente-se a perda, sente-se a angústia de abandono, sente-se a incoerência dos afetos, sente-se…E a luz, de formatos côncavos como se de uma matriz uterina se tratasse, aparece em movimentos de continente maternal ao corpo que conta e reconta em cada traço, linha desenho, o que foi e como se tornou. Acompanhados por sonoridades inquietantes e profundas que nos levam a memórias peculiares de sons infantis desorganizados em cuidados maternos pouco seguros, onde as vozes parecem despertar fantasmas precoces de abandono e vertigens de queda desamparada como no pior dos sonhos infantis. Intenso, porque os amores só se podem viver de forma intensa e porque o amor é o tecido do universo, encontramos caminhos para a reconstrução, evitando a fragmentação do Self através da dança, que de forma tão clara nos mostra que o corpo, tem um sonho de si, individual a cada sonhador. E que estes realizam o irrealizável em “reveries” que pacificam e reparam. A partilha é generosa nesta dança e deixa-nos carregados de desejos indizíveis de “maternage” e de amor. Como no universo, que é o sonho de um sonhador infinito.


O sentimento que percorre o corpo em gestos que ora aparecem ora desaparecem dos olhares, mas que se mantêm em memórias de pele, na pele, em tatuagens que nunca se apagam: em danças intermináveis.

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