Qui
10
maio
2018

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Partager: Tríptico - Um corpo para três
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Em cada painel deste quadro de dança o corpo desliza intensamente emoções em ambiente de religiosidade interna de que não conhecemos a origem, criando uma ambiguidade de sensações em procura de resposta. Talvez a saberemos, mas preferimos manter no intangível mental o seu conteúdo, porque no Inconsciente o impacto reflete a versão da Trilogia /Trindade sob musicalidades dispersas e inquietantes. Num espaço de tonalidades físicas contraditórias, do agressivo ao acolhedor, entre memórias de “Mercado” de ruídos permanentes e o Sacramento vizinho que protege, esta “Horda Primitiva” (S. Freud) desafia e desafia-nos na visão da probabilidade da coesão ou da dispersão grupal sem sentido.



No tempo “Endless” fica-se como que sem tempo, como nos sonhos, em que o passado, o presente e o futuro coexistem num mesmo plano, mitigando memórias sem as realizar. Em grupo, sem grupo, prevêem-se Instintos, Pulsões, destruições que quase fragmentam a coesão do ser grupal mas que não conseguem trespassar os limites do pré-consciente pois tornar-se-iam finitos e por isso, passíveis de se perderem. Assim, procuram de forma intensa e agressiva a coesão do grupo que é em simultâneo a coesão interna de cada indivíduo.


Em espaço de “Transparências”, os corpos movem-se em figurinos espectrais na busca de integração de objetos maternos seguros, como quem se vê e revê num espelho, como quem procura sem encontrar corpo : só se vê o verso. Nesses lugares, o corpo parece não ter lado, nem lados, nem frente nem trás, mas um envelope único em que todos se guardam de forma securizante porque unida, em que a face se dilui em expressões corpóreas que se questionam.


Porque me procuro

Porque não me encontro

E na última viagem deste painel, sou um passageiro psicossomático intenso e furioso, que procura a confirmação da posse do corpo em cada corpo, que limites tenho, que pele psíquica, que vida emocional e nesse processo de individuação /separação, corro o risco de perder o sentido da identidade subjetiva, subjacente a todo este processo de expressão em arte.


Ficamos no final com um sentimento intenso de vida partilhada, em que assistimos ao reelaborar de pensamentos como uma história de um corpo indivíduo, que reconstrói um passado inacessível à memória verbal mas que a dança traduz de forma expressiva e cativante.

“Um passageiro de si em danças transparentes de memórias infinitas”

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