Be Dias com N▲N▼, Catarina Côdea, Pietro Romani e Jo Castro
Be Dias (eli/deli, ela/dela) é artista genderqueer, bailarine, criadora, performer e orientadore (1995, França). Cresceu em Stª Maria da Feira onde o sentido de comunidade nas danças urbanas e o erotismo do Cabaret abriram caminho para o 2º nascimento - Lisboa, 2012. Atualmente reside no Porto, num regresso a casa de empoderamento e transparência. Utiliza o corpo e a voz para questionar a linguagem numa reflexão sobre a sua experiência de crescimento numa sociedade portuguesa marcada pelo patriarcado, a heteronormatividade, o catolicismo, o binarismo e o capitalismo. Investiga sobre práticas artísticas que ampliam a subversão, visceralidade, hibridez, celebração, resistência e libertação. Criou MUSCULUS (Festival INTERFERÊNCIAS, 2019) e NEON 80 (Pendular co programação entre CCB e TMP, 2021/2023), tendo sido nomeade pelo Prémio Autores 22’ como intérprete. Atualmente desenvolve o projeto autobiográfico RE.SET a metaphor for my queer emancipation coproduzido pelo Teatro Viriato (festival NANT), DDD - Festival Dias da Dança, Teatro Cine Pombal e Cine Teatro Louletano. Destaca colaborações com Companhia Olga Roriz, Maurícia | Neves, Tamara Cubas, André Uerba, Diana de Sousa, André de Campos, Francisca Manuel e Teatro do Mar. É regularmente convidade para orientar aulas ou workshops de improvisação, tendo-se licenciado em Dança pela ESD (2012-2015) e certificado na Formação Olga Roriz (2015-2016).
N▲N▼ (ela/dela) é multinstrumentista, poeta, performer, professora e perigosa. Formada em música no Brasil (UFPE, Pernambuco) sua trajetória de mais de 15 anos de carreira perpassa por improvisos em paragens de autocarro até teatros de Ópera e palcos com milhares de pessoas, como o Rock in Rio Lisboa, no qual em 2022 ela participou como spalla (1o violino) da Funk Orquestra. Especializada em jazz, usa como matéria-prima as células rítmicas sincopadas dos toques de orixás das nações Ketu e Nagô, bem como a pungência do maracatu e a efervescência do frevo, ritmos tradicionais da Nordeste do Brasil, sua terra natal onde finca raízes sonoras. Atua como DJ na cena noturna queer de Portugal, nas festas mais irreverentes e politicamente engajadas de Lisboa, como Blocu, Carniçeira e Voraz. Apesar de seu repertório ser amplo e profundo demais para classificar em gêneros, há uma coisa em comum que sumariza a identidade artística de Nany: a subversão de traumas, medos, vergonhas, culpas, fúrias e outras emoções advindas de opressões sistêmicas, em uma fonte de prazer e triunfo. A esta subversão a artista chama: Trevas. Sua última performance solo, "O Último dia de Leão", foi selecionada pelo Open Call do Alkantara, Festival de Artes Performativas, 2023, com curadoria de Aurora Negra.
Catarina Côdea (ela/dela) nasceu em Lisboa, em 1980. Frequentou a Escola Secundária Artística António Arroio e o Instituto Português de Fotografia. Em 2007 licenciou-se em Som e Imagem pela Escola Superior de Artes e Design das Caldas da Rainha e logo de seguida estagiou no Teatro Maria Matos em Lisboa.Desde a sua formação tem colaborado no desenho e operação de luz e som em várias companhias e festivais: Sensurround, d'As Entranhas, A Tarumba, Monstra – Festival de Animação, Teatro Meridional, Festival de Teatro de Almada, Festival Todos, Teatro Meia Volta, Karnart, Alkântara, Uau, Força de Produção, Teatro Meridional, Companhia de Teatro da Chanca, Caótica, entre outros. Presentemente trabalha com Sara Carinhas, Marlene Barreto e Be Dias. Entre 2008 e 2017 foi responsável técnica do Museu da Marioneta de Lisboa.
Pietro Romani (ele/dele) começou a dançar com Francisco Camacho em 1996. Desde então trabalhou com diversas coreógrafas e coreógrafos como assistente e intérprete, mas é no apoio à dramaturgia que se sente mais realizado. Foi intérprete em peças de Carlota Lagido, Filipa Francisco, Francisco Camacho, Gary Stevens, Miguel Pereira, Tiago Guedes, Ana Borralho e João Galante. Como ator trabalhou com o realizador José Álvaro de Morais. Como assistente de direção artística trabalhou com Francisco Camacho, Miguel Pereira, Paula Castro, Inês Jacques, Filipa Francisco, Tânia Carvalho, Tiago Guedes, Carlota Lagido, Marco da Silva Ferreira, Inês Campos, Jo Castro e Maurícia | Neves. Dirigiu o evento comunitário “Madison” em Lille (2008); a peça “Quando pensamos em tempo”, com o grupo de alunos da Escola Secundária Rainha Dona Leonor para o Teatro Maria Matos (2010), assim como o baile “Refresco Dançante”, na apresentação da programação para crianças e jovens do Teatro Maria Matos (2013). Colaborou em encenações de Hugo Mestre Amaro com movimento e coreografia. Dirigiu as oficinas “Matrioska” em Portugal e França; e “Vostok & Calypso” na Fábrica das Artes, em Lisboa; foi professor convidado na Escola Superior de Dança, em Lisboa, em 2017 e 2022.
Jo Castro (ile/dile) nasceu em 1988, no Porto. É artista queer que desenvolve projetos entre a dança, a performance, a instalação, a voz e o som, tendo apresentado algumas das suas obras em Portugal, França, Bélgica, Alemanha e Brasil. Com um universo criativo autobiográfico, para além de questões como a morte, a memória e a espectralidade, as questões de género atravessam a sua experiência pessoal e artística na pesquisa de ume corpe que opera em estados de transição – no limiar das fronteiras do humano, sem género.